📍 Aplicações da Derivada Primeira: Extremos Relativos

Continuação natural do estudo do sinal da derivada: agora vamos identificar máximos e mínimos locais com clareza e segurança.

Por que estudar extremos relativos?

Depois de aprender onde uma função cresce e onde decresce, o passo seguinte é identificar os pontos em que esse comportamento muda. Esses pontos são fundamentais em Cálculo, pois ajudam a reconhecer máximos e mínimos relativos, interpretar gráficos e resolver problemas de otimização.

Quando a derivada muda de sinal, a função muda de comportamento. É essa troca que revela a presença de um extremo relativo.
\[ f'(x)>0 \Rightarrow f \text{ cresce} \qquad f'(x)<0 \Rightarrow f \text{ decresce} \qquad \text{mudança de sinal} \Rightarrow \text{possível extremo relativo} \]

1. Como a derivada identifica máximos e mínimos relativos

De positivo para negativo

Se \(f'(x)\) passa de positivo para negativo, a função cresce e depois decresce. Surge um máximo relativo.

De negativo para positivo

Se \(f'(x)\) passa de negativo para positivo, a função decresce e depois cresce. Surge um mínimo relativo.

Sem troca de sinal

Se a derivada zera, mas não muda de sinal, então o ponto crítico não corresponde a um extremo relativo.

Resolver \(f'(x)=0\) não basta. O número crítico precisa ser analisado pela mudança de sinal da derivada antes e depois do ponto.

2. Método prático para classificar extremos relativos

Passo 1 — Derivar a função:

Calcule \(f'(x)\).

Passo 2 — Encontrar os números críticos:

Resolva \(f'(x)=0\) e observe pontos onde a derivada não existe, desde que a função esteja definida.

Passo 3 — Fazer o estudo de sinais:

Divida a reta real em intervalos determinados pelos números críticos e analise o sinal de \(f'(x)\) em cada intervalo.

Passo 4 — Classificar:

Se houver troca de \(+\) para \(-\), há máximo relativo. Se houver troca de \(-\) para \(+\), há mínimo relativo.

Passo 5 — Encontrar a coordenada do ponto:

Calcule \(f(x)\) no número crítico classificado.

3. Quatro exemplos guiados

Os exemplos abaixo mostram situações clássicas: mínimo relativo, máximo relativo, dois extremos e um caso em que a derivada se anula sem produzir extremo.

Exemplo 1 — \(f(x)=x^2\)
Passo 1 — Derivada:
\[ f'(x)=2x \]
Passo 2 — Número crítico:
\[ 2x=0 \Rightarrow x=0 \]
Sinal de \(f'(x)\):
\(-\)
\((-\infty,0)\)
\(0\)
\(+\)
\((0,+\infty)\)
Classificação:

A derivada muda de negativa para positiva. Portanto, há mínimo relativo em \(x=0\).

Coordenada:
\[ f(0)=0 \]
A função possui mínimo relativo no ponto \((0,0)\).
Exemplo 2 — \(f(x)=-x^2+4x\)
Passo 1 — Derivada:
\[ f'(x)=-2x+4 \]
Passo 2 — Número crítico:
\[ -2x+4=0 \Rightarrow x=2 \]
Sinal de \(f'(x)\):
\(+\)
\((-\infty,2)\)
\(2\)
\(-\)
\((2,+\infty)\)
Classificação:

A derivada muda de positiva para negativa. Portanto, há máximo relativo em \(x=2\).

Coordenada:
\[ f(2)=-(2)^2+4\cdot2=4 \]
A função possui máximo relativo no ponto \((2,4)\).
Exemplo 3 — \(f(x)=x^3-3x\)
Passo 1 — Derivada:
\[ f'(x)=3x^2-3=3(x-1)(x+1) \]
Passo 2 — Números críticos:
\[ 3(x-1)(x+1)=0 \Rightarrow x=-1 \text{ ou } x=1 \]
Sinal de \(f'(x)\):
\(+\)
\((-\infty,-1)\)
\(-1\)
\(-\)
\((-1,1)\)
\(1\)
\(+\)
\((1,+\infty)\)
Classificação:

Em \(x=-1\), a derivada muda de positiva para negativa, logo há máximo relativo. Em \(x=1\), a derivada muda de negativa para positiva, logo há mínimo relativo.

Coordenadas:
\[ f(-1)=(-1)^3-3(-1)=2 \] \[ f(1)=1^3-3(1)=-2 \]
A função possui máximo relativo em \((-1,2)\) e mínimo relativo em \((1,-2)\).
Exemplo 4 — \(f(x)=x^3\)
Passo 1 — Derivada:
\[ f'(x)=3x^2 \]
Passo 2 — Número crítico:
\[ 3x^2=0 \Rightarrow x=0 \]
Sinal de \(f'(x)\):
\(+\)
\((-\infty,0)\)
\(0\)
\(+\)
\((0,+\infty)\)
Classificação:

Embora \(f'(0)=0\), não há troca de sinal. Portanto, \(x=0\) não é máximo nem mínimo relativo.

A função possui número crítico em \(x=0\), mas não apresenta extremo relativo nesse ponto.

4. Síntese para o estudante

Sinal de \(f'(x)\) ao atravessar o ponto Comportamento da função Conclusão
\(+ \to -\) Cresce e depois decresce Máximo relativo
\(- \to +\) Decresce e depois cresce Mínimo relativo
Sem troca de sinal O comportamento não muda Não há extremo relativo
O número crítico é apenas um candidato. O que decide a classificação é a mudança de sinal da derivada ao redor do ponto.

5. Sequência de estudo

Esta página dá continuidade ao estudo das aplicações da derivada primeira. O estudante pode revisar a etapa anterior ou avançar para o teste da derivada segunda.

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