Por que estudar o teste da derivada segunda?
O estudo do sinal de \(f'(x)\) já permite classificar extremos relativos. Porém, em muitos casos, a derivada segunda oferece um caminho mais direto. Quando um ponto crítico satisfaz certas condições, o sinal de \(f''(x)\) revela a concavidade da função e ajuda a decidir se temos máximo ou mínimo relativo.
1. Ideia central do teste
A função é côncava para cima perto de \(c\). O ponto crítico tende a ser um mínimo relativo.
A função é côncava para baixo perto de \(c\). O ponto crítico tende a ser um máximo relativo.
O teste da derivada segunda é inconclusivo. Nesse caso, é preciso usar outro método.
2. Método prático
Calcule \(f'(x)\).
Resolva \(f'(x)=0\).
Encontre \(f''(x)\).
Avalie \(f''(c)\). Se for positiva, há mínimo relativo. Se for negativa, há máximo relativo. Se for zero, o teste não decide.
Depois de classificar, calcule \(f(c)\).
3. Exemplos guiados
A seguir, veja quatro exemplos clássicos do uso do teste da derivada segunda.
Exemplo 1 — \(f(x)=x^2\)
Logo, em \(x=0\), a função possui mínimo relativo.
Exemplo 2 — \(f(x)=-x^2+4x\)
Logo, em \(x=2\), a função possui máximo relativo.
Exemplo 3 — \(f(x)=x^3\)
Como o resultado foi zero, o teste da derivada segunda é inconclusivo.
Exemplo 4 — \(f(x)=x^4-4x^2\)
4. Síntese para o estudante
| Condição no ponto crítico \(c\) | Interpretação | Conclusão |
|---|---|---|
| \(f'(c)=0\) e \(f''(c)>0\) | Concavidade para cima | Mínimo relativo |
| \(f'(c)=0\) e \(f''(c)<0\) | Concavidade para baixo | Máximo relativo |
| \(f'(c)=0\) e \(f''(c)=0\) | O teste não decide | Inconclusivo |
5. Aplicações em que a derivada segunda decide máximo ou mínimo
Agora vamos ver três situações aplicadas em que a derivada segunda não aparece apenas como uma regra, mas como uma ferramenta de decisão. Primeiro encontramos o ponto crítico com \(f'(x)=0\). Depois usamos \(f''(x)\) para decidir se aquele ponto produz máximo ou mínimo.
Aplicação 1 — Receita máxima em vendas
Uma empresa estima que sua receita, em função de uma variável \(x\), seja dada por:
Queremos encontrar o valor de \(x\) que torna a receita máxima. Como estamos trabalhando com uma função que representa receita, o ponto crítico será analisado para saber se ele corresponde ao maior ganho possível dentro do modelo.
A derivada primeira mede a variação instantânea da receita. O ponto crítico ocorre quando essa variação se anula.
O candidato encontrado é \(x=30\). Agora a questão é decidir se esse ponto produz máximo ou mínimo.
Como a segunda derivada é negativa, o gráfico fica voltado para baixo nas proximidades do ponto crítico. Portanto, \(x=30\) produz uma receita máxima.
Aplicação 2 — Custo mínimo de produção
O custo de produção de uma fábrica é modelado pela função:
Neste caso, o interesse é encontrar o menor custo possível. O ponto crítico indicará uma quantidade candidata, mas a decisão final será feita pela derivada segunda.
O candidato ao extremo é \(x=8\). Agora precisamos verificar a concavidade do custo nesse ponto.
Como a segunda derivada é positiva, o gráfico do custo fica voltado para cima nas proximidades do ponto crítico. Portanto, \(x=8\) produz um custo mínimo.
Aplicação 3 — Volume máximo de uma caixa sem tampa
Uma folha retangular de \(30\text{ cm}\) por \(20\text{ cm}\) será transformada em uma caixa sem tampa. Para isso, serão cortados quadrados de lado \(x\) nos quatro cantos.
Após os cortes, a altura da caixa será \(x\). O comprimento da base será \(30-2x\) e a largura será \(20-2x\). Assim, o volume é:
Desenvolvendo a expressão, obtemos:
Como a folha mede \(30\text{ cm}\times 20\text{ cm}\), após cortar quadrados de lado \(x\) em cada canto, as dimensões da base passam a ser \(30-2x\) e \(20-2x\), enquanto a altura da caixa passa a ser \(x\).
Para que a caixa exista fisicamente, todas as medidas devem ser positivas:
Da condição \(30-2x>0\), obtemos \(x<15\).
Da condição \(20-2x>0\), obtemos \(x<10\).
Esse é o domínio físico do problema e garante que altura, comprimento e largura sejam positivos.
Pela fórmula quadrática:
Aproximadamente:
Como o domínio físico é \(0
Como a segunda derivada é negativa no ponto crítico viável, o volume cresce até esse ponto e depois passa a diminuir. Assim, \(x\approx 3{,}92\text{ cm}\) produz volume máximo.
6. Sequência de estudo
Esta etapa aprofunda a sequência sobre aplicações da derivada. O estudante pode voltar às páginas anteriores para revisar a construção do raciocínio ou avançar para problemas de otimização.